Está cada vez mais comum encontrar pessoas que falam muito bem sobre generalidades. Elas têm conhecimento sobre todos os assuntos do dia, desde a queda da bolsa de valores, passando pelas mortes ocasionadas no trânsito e até quanto custa uma viagem de turismo ao espaço.
A internet, uma verdadeira biblioteca virtual, traz as noticias em tempo real, deixando bem informado qualquer cidadão durante todo o dia. Acesso a informação não é mais privilégio de ninguém. Pobre, rico, criança, idoso, homem, mulher, latino, europeu, estamos todos a um click das noticias, entretenimento, jogos e o próprio trabalho.
Alexandre Freire, consultor sênior do Instituto MVC, destaca a chamada geração digital. ”Ela é composta por jovens de até 17 anos, em que a internet é a principal via para suas pesquisas, relacionamentos, comunicação, estudos, namoros, partilhas e entretenimento. Cedo, pela manhã, já vasculharam a rede, responderam emails, verificaram seus orkuts, assistiram ao ultimo vídeo do Youtube, fizeram uma rápida busca no google e se inscreveram no torneio mundial de matemática à distancia. Tudo que acessam é de maneira rápida, em que as chamadas são mais importantes que o conteúdo. É uma geração que tem uma inegável visão de 360º da superfície. É o que chamo de geração navio!”, afirma.
Ele explica que quem não faz parte desta geração, até os 17 anos pesquisou pela Barsa, se comunicou por cartas, leu o jornal da banca, assistiu a filmes pela TV e participou de torneios presenciais e brincou de carrinho ou boneca. ”Alguns, mais afortunados, tiveram a oportunidade de trabalhar com a planilha Lotus 123. Lia-se todo o texto, até o fim. Transcrevia-se à mão a pesquisa para um caderno, recortavam-se artigos de jornais e revistas com a responsabilidade de debatê-los em sala de aula. O acesso à informação era restrito, mas o conhecimento do contexto era maior. Esses são parte da geração que tem uma inegável visão de profundidade. É o que chamo de geração submarino!”, destaca Freire.
O consultor faz uma importante observação deste choque de gerações. A geração digital está começando sua inserção no mercado de trabalho, mas são os profissionais da geração “profundidade” que contratam. ”Uma gerente de RH me confidenciou que durante as entrevistas, uma pessoa da geração digital discorre com facilidade sobre os acontecimentos do mundo inteiro. São versáteis, rápidos e decididos sobre o que querem”, conta. “Porém, quando confrontados com perguntas sobre o contexto dos acontecimentos, fazem cara de desentendidos ou dão respostas vagas sobre os assuntos”, completa.
Freire ainda afirma que essa gerente disse ainda que eles têm dificuldade para analisar as informações e sofrem com a necessidade de ter que iniciar em uma função que não esteja à altura deles.
Para ele, o conflito dessas duas gerações no ambiente de trabalho é inevitável. Por um lado, a geração “submarino” está no comando das empresas, exigindo analise detalhada do contexto para tomada de decisões na empresa. De outro lado, a geração “navio” é impaciente e acostumada a respostas na velocidade do Google, exigindo objetividade da liderança das organizações.
Entretanto, o consultor considera que um fato novo está acontecendo a despeito de tudo isso. As empresas estão chamando de volta muitos daqueles que foram considerados descartáveis: os mais velhos. “Talvez a resposta não esteja na profundidade ou na superfície, mas na sabedoria. A visão de cima”, conceitua.
E Freire faz uma provocação: “Você é submarino ou navio?”
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