Um estudo divulgado no inicio deste ano pelo World Economic Forum (Fórum Econômico Mundial) destaca que a colaboração em mobilidade de talentos entre os públicos de interesse (“stakeholders”) é uma das formas mais eficaz para solucionar falhas do mercado de trabalho e no aumento da criação de empregos.
O estudo intitulado “Talent Mobility Good Practices – Collaboration at the Core of Driving Economic Growth” (Boas Práticas em Mobilidade de Talentos – Colaboração no foco para direcionar crescimento econômico), é resultado de 55 estudos de casos feitos mundialmente, exibindo ações concretas que as organizações – incluindo empresas, governos, instituições acadêmicas, organizações sem fins lucrativos e empregados – vêm colocando em prática para solucionar os desafios de talentos. O estudo foi elaborado em colaboração com a Mercer.
A pesquisa identifica que enquanto existem diversos exemplos de boas práticas que podem ser adotadas para ajudar a reequilibrar o mercado mundial de talentos, a mobilidade de talentos não tem alcançado seu potencial total. O estudo indica que o mercado de talentos enfrenta quatro problemas principais: ampla falta de empregabilidade, lacunas de competências e informações e restrições à mobilidade. Estas questões são universais e desencorajadoras, com inúmeros países e regiões tentando vencer o alto índice de desemprego e as forças de trabalho ainda não exploradas, enquanto que muitos setores da indústria e empresas enfrentam a escassez de talentos e lacunas de competências.
Dentre os estudos de casos, as soluções apresentadas para esses problemas são inúmeras, desde a adaptação de currículos acadêmicos para atender melhor as necessidades de uma indústria até a capacitação de empregados pouco qualificados para o trabalho; praticamente todas as soluções demonstram formas diferentes de colaboração entre os inúmeros públicos de interesse. Alguns exemplos incluem:
• Os estados membros da Associação das Nações do Sudeste Asiático (abreviatura ASEAN em inglês) estão em colaboração com universidades, ministérios do governo e setor privado para derrubar as barreiras impostas à mobilidade de talentos e estabelecer o fluxo livre da força de trabalho qualificada entre fronteiras. A cooperação tem resultado em acordos que buscam facilitar a movimentação de especialistas, profissionais e mão de obra qualificada da indústria; as nações membros podem fornecer atualmente a isenção de vistos, e criaram o ASEAN Business Travel Card, documento que facilita viagens a negócio entre os países participantes da Associação.
• A Toronto Financial Services Alliance foi estabelecida pela Cidade de Toronto como uma parceria público-privada entre governo, instituições de ensino superior e organizações de serviços financeiros visando atrair talentos e, dessa forma, fortalecer o setor de serviços financeiros de Toronto. A parceria tem como objetivo preencher lacunas de informações por meio da identificação de qualificações específicas e necessidades de talentos da indústria no âmbito do ensino superior e universidades. A criação do Centro de Excelência em Formação de Serviços Financeiros (Center of Excellence in Financial Services Education) em 2009 surgiu em consequência desta parceria.
•A NASSCOM, associação da indústria de TI líder na Índia, trabalha no sentido de atualizar e padronizar a portabilidade de qualificações em toda a indústria. Em 2008, a associação desenvolveu um trabalho em parceria com universidades estaduais para criar avaliações de competências padronizadas e um programa de certificação para dinamizar o processo de seleção na indústria. Desde a sua criação, cerca de 100.000 recém-formados em universidades realizaram os testes para contratação em posições iniciais, e espera-se que até 250.000 estudantes a cada ano realizem o teste no futuro.
• No Brasil e na Índia, o Walmart realizou um trabalho em parceria com autoridades governamentais, instituições de ensino e comunidades preocupadas com a empregabilidade da força de trabalho local, lançando programas de capacitação inovadores para atender tanto às necessidades por talentos da empresa quanto às necessidades dos estudantes por qualificações específicas. Apenas no Brasil, a rede varejista abriu 10.000 novos postos de trabalho em 2010 por meio do programa, envolvendo escolas de ensino médio e especialistas locais, e a expectativa em 2011 era abrir 10.000 outros postos de trabalho.
• A Saudi Aramco, empresa do setor de Óleo e Gás, confia em métodos rigorosos de planejamento da força de trabalho, investimentos substanciais em educação e treinamento, e programas de mobilidade de talentos amplos que dão aos empregados exposição para gerenciar práticas e ferramentas usadas por outras empresas mundialmente. Estes programas contribuem para a mobilidade interna em todos os níveis de carreira. A Saudi Aramco também trabalha próxima ao governo da Arábia Saudita e instituições acadêmicas para assegurar um fluxo estável de talentos para a empresa e pelo país.
O estudo se encerra com recomendações sobre como os públicos de interesse individuais podem implementar as práticas colaborativas de mobilidade de talentos com sucesso, que entre outras incluem o compartilhamento de acesso às informações do mercado de trabalho por meio de ferramentas de medição e modelos combinados com dados sobre força de trabalho e desempenho visando estimar o impacto da mobilidade de talentos e desenvolver casos baseados em fatos para o a colaboração entre múltiplos públicos de interesse.
“Esta pesquisa conjunta foi desenhada para criar uma plataforma reconhecida na qual vários públicos de interesse possam endereçar desafios de mobilidade de talentos e trocar práticas e experiências”, comentou Patricia A. Milligan, presidente da área de Talentos, Recompensas e Comunicação da Mercer. “As conclusões obtidas pelo estudo demonstram que apesar dos desafios, já existe uma variedade de soluções práticas e de escala colocadas em ação para combater a escassez de talentos e criar postos de trabalho e, em última análise gerar crescimento econômico”, completou.
“Nosso estudo demonstra claramente que uma visão mais ampla da mobilidade de talentos –– além das transferências internacionais tradicionais –– é necessária para o crescimento das empresas, das indústrias e das economias”, comentou Piers A. Cumberlege, diretor de Parcerias do Fórum Econômico Mundial. “Reunir públicos de interesse diversos com interesses em comum produz soluções multidimensionais eficazes que possuem impacto máximo na gestão dos desafios enfrentados pelo mercado de talentos, além de estimular o crescimento econômico.”
Outros públicos de interesse com boas práticas de mobilidade de talentos analisados no estudo incluem: ABB, Adecco, BC Hydro, The Boston Consulting Group, the European Commission, HCL Technologies, Infosys, International Labor Organization (ILO), INSEAD, LVMH, ManpowerGroup, Mercer, Polish Confederation of Private Employers, PwC, Standard Chartered, entre outros.
Os membros do Global Agenda Council on Skills and Talent Mobility (conselho em Competências e Mobilidade de Talentos) juntamente com especialistas e pesquisadores de alto nível contribuíram para as recomendações contidas no estudo. Durante a sua Reunião Anual 2012 em Davos-Klosters, o Fórum Econômico Mundial procurará catalisar uma plataforma de colaboração única entre diversos públicos de interesse com foco no compartilhamento eficaz das boas práticas de mobilidade de talentos.
Mais informações sobre o relatório estão disponíveis em www.weforum.org/TalentMobility2012
