Autoridade x Afetividade: o delicado equilíbrio da liderança

Esta questão é antiga, mas continua mal resolvida: o relacionamento entre chefes e subordinados ainda deixa muito a desejar em termos de qualidade, eficácia e harmonia. Antes da crise — e certamente continuará após ela — essa dificuldade era a maior causa de demissões nas empresas, em todos os níveis.
Nas atitudes de muitos profissionais ainda sobrevive um paradigma antigo de que “chefe sorridente é chefe incompetente”. E como tem gente que, até hoje, acredita nisso, quando ocupam cargos de gestão armam-se diariamente de uma feroz sisudez e um ácido mau humor como se disso dependesse a imposição e aceitação da sua autoridade.
A esse respeito, Stephen Covey, autor do best-seller “Os Sete Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes”, que vendeu mais de 15 milhões de exemplares, afirmou: “A maioria das lideranças ainda está estancada no modelo de trabalhador em que as pessoas são vistas como coisas a ser controladas e reguladas. Mas hoje é imperativo ter consciência de que as pessoas são feitas de corpo, mente, emoções e espírito.”
Outro famoso guru, Peter Drucker, escreveu: “Não se gerencia pessoas. A tarefa é liderar pessoas. A meta é tornar produtivos as forças e o conhecimento específico de cada pessoa. Pessoas precisam ser tratadas cada vez mais como parceiras e não mais como empregadas. Não se pode dar ordem a elas. É necessário persuadi-las.”
E, finalmente, repito o que diz James Hunter, o consagrado autor do “O Monge e o Executivo” que há anos consta da lista dos livros mais vendidos em São Paulo: “Liderança não é o que você faz, é o que você é. Liderança tem a ver com caráter: 99% das falhas de liderança são falhas de caráter. O desenvolvimento da liderança significa o desenvolvimento do caráter.”
Essas transcrições têm o objetivo de reforçar o que venho defendendo em meus livros e artigos e que volto a insistir: a possibilidade de uma empresa ter lucro através de colaboradores felizes, depende fundamentalmente da capacidade das lideranças manterem o equilíbrio entre o uso justo e produtivo da autoridade e, ao mesmo tempo,  promoverem o calor e respeito humanos que podem ser gerados pela sua afetividade com a equipe.
O ultrapassado paradigma que ainda leva alguns gestores ao uso inadequado da autoridade tem um equivalente contrário, aquele que diz que afetividade compromete o poder da liderança e instala displicência e irresponsabilidade na equipe. Crenças falsas e descabidas como essas são as principais responsáveis pelos climas organizacionais de desmotivação, ressentimentos e improdutividade. Toda empresa tem metas e resultados que necessariamente devem ser atingidos para sua sustentabilidade e crescimento. Todos os funcionários também têm metas e resultados a atingir como parte das suas responsabilidades — e é a soma desses resultados individuais que se traduz em lucro coletivo para a organização. Portanto, o interesse no sucesso desse processo é de todos, bem como a responsabilidade pela sua efetivação — e é ao líder que cabe sua condução.
A importância da autoridade que permite ao líder tomar decisões e indicar caminhos e soluções para que a empresa atinja seus objetivos, é tão grande quanto a autoridade que lhe permite criar e manter um clima adequado de afetividade. São estes componentes emocionais que alimentam e dão força aos componentes técnicos e administrativos. Ambos devem funcionar lado a lado, pois um não sobrevive saudavelmente sem o outro.
Há muito tempo que estudos e pesquisas sobre gestão de pessoas vêm demonstrando que gritos e caras feias das lideranças não aumentam produção nem duplicam vendas. Ao lado da autoridade disciplinadora, as lideranças precisam usar também seus corações, sem os quais os verdadeiros talentos passam a se sentir como “coisas”, conforme a citação do Covey. E, como sabemos, “coisas” nada produzem.
É simples assim.

2 comentários em “Autoridade x Afetividade: o delicado equilíbrio da liderança

  1. Concordo totalmente com o texto!
    Há três anos trabalho numa empresa, onde quando entrei o meu subordinado era a pessoa mais desprezível pra mim e para os outros colaboradores, pois a forma de agir, de falar e de olhar não agradava a ninguém, e sim fazia com que todos tivessem “medo”, o que pra mim não significa respeito nenhum, e sim um simples fato da pessoa ter mais tempo na empresa e achar que poda tratar os outros como se fossem qualquer um!
    Pois bem, os anos se passaram me tornei líder, graças ao meu próprio esforço e claro pela confiança que meu subordinado depositou em cima de mim pra desempenhar esta função.
    Sou a pessoa mais calma do mundo lá, tenho o sorriso estampado no rosto todo santo dia, quando vejo problemas de relacionamentos entre minha equipe, busco logo tratar este problema, pois acho que ninguém está ali pra ser rival um do outro e sim pra serem equipes e trabalhar juntos, pois este é o meu foco perante à eles, dando total liberdade de expressar opiniões e críticas, mas dentro do propósito ao que busca.
    Quanto ao meu subordinado, ele se tornou um grande Chefe e respeitado por todos, mudou seu lado agressivo e percebeu que toda aquela atitude do início era desnecessária, tempos atrás ele disse que ia voltar a ser como antes, mas já dizendo o que pensava, mas hoje está tudo tranquilo, ele é bom pelo trabalho e pela dedicação, já que a forma agressiva nunca colaborou em nada!

    Abraços e Parabéns pelo Texto!

    • Grande Marcelo!
      Obrigado pelo comentário, pelo exemplo relacionado ao artigo e pela visita ao Mais RH!
      É um prazer ter um colega de 1 Contra 100 visitando e compartilhando conhecimento pelo blog.

      Abraço forte!

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s