Reza a antiga lenda e dizem os entendidos que toda empresa que se preza tem que ter bem claras as definições das suas hierarquias. Acredito que todo mundo que circula pelo universo corporativo sabe o que é hierarquia. O que talvez nem todos verdadeiramente saibam é: para que serve? Academicamente, podemos encontrar bonitas definições para essa palavra, mas, em resumo, e de acordo com os conceitos praticados pelo mercado, hierarquia serve mesmo é para deixar bem claro para todos quem é que manda em quem.
A palavra Hierarquia tem origem pomposa, vem do grego hieros (sagrado) + arché (poder, comando), que, grosso modo, pode ser traduzido como “poder sagrado”. Pode acreditar. Isso me leva a supor que, pelo jeito, os adoradores da hierarquia sabem dessa origem, pois, a julgar pelas atitudes de alguns líderes nas empresas em geral, eles supõem-se donos de um “poder sagrado”… E é daí que nascem os desmandos, a autocracia, as arbitrariedades, o tal do “manda quem pode, obedece quem tem juízo”.
Mas será que a hierarquia serve mesmo para indicar quem manda na estrutura organizacional? Sei não. Há quem diga que o poder está nas mãos (ou no bolso) do cliente. Outros acham que está no acionista. Ou no chefe. Quem sabe nos empregados?
Apenas uma minoria de profissionais reconhece que o que se chama de poder está diluído entre todos. Uma organização só se torna realmente produtiva quando todos os seus membros têm e exercem o poder. O poder de ouvir, falar, sugerir, discordar, ajudar, fazer, decidir.
No passado, alguém já havia levantado a lebre, mas ela ficou no passado e talvez poucos se lembrem do então badalado “empowerment”. Ou seja, a descoberta da pólvora. Dizia o “empowerment” que, para um líder motivar seu funcionário, deveria dar-lhe autonomia e fazê-lo sentir que tem “poder” para realizar suas tarefas. Em outras palavras, tratava-se de delegar poder de decisão e ação ao funcionário na execução do seu trabalho e até na administração da empresa. Por óbvias razões, o “empowerment” não decolou. Afinal, até onde sei, não há muita gente interessada em democratizar o poder numa empresa.
Pois bem, estou propondo algo muito louco, utópico ou simplesmente brilhante: que seja posto de lado o conceito de hierarquia e que as equipes passem a atuar como grandes colegiados. Que não hajam salas fechadas e as mesas sejam redondas, sem cabeceiras que “pagam a conta”. Que resultados e responsabilidades sejam igualmente compartilhados. Que os nomes dos cargos de gestão sejam substituídos por “colega” ou “parceiro” - apesar do problema maior não estar no nome do cargo, mas na postura comportamental de quem o ocupa. E, finalmente, que o diálogo e a troca de experiências, conhecimentos e habilidades seja o idioma-padrão das corporações — uma espécie de Esperanto – uma linguagem que todos entendam e pratiquem — e neste caso, dentre outras vantagens, não fará a menor diferença alguém ter fluência em dois ou três idiomas.
Certamente, para que isso se torne possível, o primeiro passo seria todos se despirem de vaidades, egoísmos e arrogâncias. E está errado quem julgar que a ausência de um poder formal vá gerar o caos na organização. É impressionante o que uma equipe pode produzir sob o signo da liberdade e da confiança – desde que haja reconhecimento. De resto, o verdadeiro poder não precisa dessa coisa chamada hierarquia, porque ele resulta da autoridade conquistada pela competência, pela humildade, pelo respeito ao próximo e pela capacidade de compartilhar conhecimentos, habilidades e experiências.
Certamente o leitor poderá discordar e contestar fortemente a validade desta proposta enquanto solução corporativa. Nenhum problema. Mas não pode deixar de admitir, que, pelo menos como sonho organizacional, é rigorosamente válida. A questão é que transformar sonhos em realidade, é alquimia para poucos.
Quem se habilita?

Sinceramente,
entendo que as empresas brasileiras têm alto índice de mortalidade, justamente pela falta e visão futurista quanto à gestão. Este ponto que você levantou da gestão inclusiva é o caminho para um futuro próspero das empresas. O problema é que os fundadores (mantenedores) da maioria das empresas são pessoas formadas em outras áreas que não Administração ou não formadas, por isso não conseuem manter essa amplitude de visão.
Grata por ler o teu texto. Muito contundente.
Olá Karol!
Os textos do Floriano Serra são realmente sempre contundentes e vão direto ao ponto. É um prazer tê-lo como articulista.
E foi um prazer receber sua visita!
tive que faser um trabalho sobre a hierarquia e coloquei que: a hierarquia representa a cadeia de comando que se inicia nos gestores de topo e segue ate aos trabalhadores nao gestores. esta serto?
Erikson,
Desculpe a crítica, mas você precisa tomar um pouco mais de cuidado com os erros de português, especialmente se estiver cometendo-os em seus trabalhos escolares. Quanto à sua dúvida, sua linha de pensamento não está totalmente errada, mas é preciso ter em mente qual o tamanho da organização. Se a empresa é muito grande, os gestores geralmente ficam no meio da pirâmide. No topo fica o corpo diretivo, ou os diretores. Agora, se a empresa é pequena, o dono também exerce a atividade de gestor.
Espero ter ajudado em sua dúvida.
Obrigado pela visita ao Mais RH!