Ainda que alguns resistam ou até demorem um pouco a assimilar todas as inovações tecnológicas que, com velocidade incrível, tornam obsoleto o que havia de mais arrojado, o fato é que hoje, no mundo dos negócios, ninguém mais se imagina atuando nos padrões vigentes há 10 ou 15 anos.
Anacronicamente, no entanto, no que diz respeito às posturas diante do mercado de trabalho e às mudanças inequívocas nas relações entre empresas e profissionais, ainda há um considerável contingente de pessoa que não atualizaram o software mental. Renitentes, elas se mantêm fiéis a um sistema operacional totalmente superado, deixando de fazer a imprescindível conversão do que costumo chamar de “DOS do emprego” para o “Windows da prestação de serviços”.
O cenário atual e os desafios futuros demandam maior agilidade e a adoção de um novo “mind set”. Diferentemente do que se proclamou em um passado nem tão distante, o emprego não vai acabar. É certo, porém, que muitos fatores concorrem para a drástica redução dos postos de trabalho com vínculos formais.
Não bastasse a busca por maior competitividade e menores custos — o que, em outras palavras, significa fazer mais com menos recursos materiais e humanos — vivemos um tempo em que mesmo organizações sólidas deixam de existir de uma hora para outra.
Os motivos são os mais variados, incluindo desde os frequentes movimentos de fusão e aquisição até a dificuldade de algumas empresas em reagir às transformações do ambiente de negócios. Incapazes de se reinventar, essas companhias ficam de fora do jogo. É o que ocorre também com alguns profissionais. A incapacidade de avaliar as transformações e elaborá-las, dando uma rápida resposta, acaba por aprisionar o indivíduo, comprometendo a evolução de sua carreira.
Ainda que não vá se extinguir, o emprego formal está dando espaço a outras formas de contratação. Esta nova realidade encontra explicações plausíveis na própria dinâmica dos negócios, a começar pela estabilidade do sistema de produção, que deixou de existir. Nada permanece do mesmo jeito por um período muito longo.
Produtos e serviços evoluem com tamanha rapidez que, para não serem igualadas ou superadas pela concorrência, as empresas têm de buscar a inovação permanentemente. Flexibilidade passou a ser uma palavra-chave, permeando também as relações de trabalho.
Encarar a realidade e acelerar sua compreensão é muito mais produtivo do que nutrir o saudosismo dos tempos em que lealdade e dedicação eram moeda de troca para obter segurança e garantia de emprego — uma época que, tudo indica, está superada e sem chances de ser reeditada.
Ao romper a natural resistência ao novo e realizar a troca do sistema operacional, substituindo o “DOS do emprego” pelo “Windows da prestação de serviços”, damos um salto qualitativo, pois nos tornamos aptos a enxergar muitas oportunidades, ampliando sensivelmente nossos horizontes profissionais.
Nesta perspectiva, é preciso compreender que o importante, de fato, é ter empregabilidade e não um emprego convencional, até porque os vínculos formais são efêmeros, transitórios e passíveis de rompimento a qualquer momento, por conta de fatores que, como vimos, muitas vezes nada têm a ver com a competência ou a eficiência do profissional.
Para dispor de trabalho e renda sempre, temos de nos posicionar como provedores de solução, alocando nossa competência onde for requisitada e prestando um serviço de qualidade, seja sob o regime da CLT ou mediante outra forma de contratação legal.
Auto-empresariar o talento faz parte de um aprendizado que se constroi ao longo da vida profissional, em uma semeadura que exige atenção e cuidados constantes. Talvez ainda leve um tempo para que nos acostumemos com a ideia de que segurança e estabilidade não são conceitos externos ou benesses que nos chegam como uma recompensa oferecida pelo empregador.
A segurança está em cada um, nos investimentos que fazemos para evoluir como profissional e pessoa, nos movimentos para uma inserção menos burocrática e mais produtiva. A estabilidade, por sua vez, adquire novo entendimento, materializada na capacidade de nos mantermos atrativos para as empresas e em condições de escolher projetos que possam agregar valor à carreira.
Diante da inadiável premência de atualização do software mental, muitos desafios se impõem, a começar pela mentalidade mercadológica necessária para transitar em um universo de oportunidades disputadíssimas. Assunto de maior relevância, uma vez que a concorrência no mercado de trabalho, assom como em outras áreas, não dá trégua.
