Ainda que o dia continue tendo as mesmas 24 horas, a sensação de que mais uma jornada se foi e não conseguimos dar conta de tudo o que prentendíamos fazer é uma constância. Se a situação gera estresse para quem está na ativa, à frente de projetos definidos, a aflição se multiplica quando o profissional está em transição de carreira, período no qual o tempo parece ganhar outra dimensão.
Recurso não renovável, o tempo é um fator que requer atenção especial, tanto nos períodos em que nossos talentos estão devidamente “empregados”, com base nos vínculos formais, quanto nos momentos de entressafra. A realidade, no entanto, se mostra diametralmente oposta, com a negligência se impondo quase que de maneira natural. Quantos profissionais, atolados nos afazeres da rotina de trabalho, se descuidam da gestão da carreira, do networking, da família, da saúde? A fatura da falta de tempo para o essencial chega sempre, cedo ou tarde.
Ao ser demitido, o indivíduo conhece o que suponho ser um dos maiores desafios da gestão do tempo: a liberdade para usar esse recurso em prol da construção de um novo amanhã, o que dá a chance de rever vários aspectos da existência e não só o lado profissional. Costumo dizer que buscar trabalho é um trabalho, de natureza temporária, e dá trabalho, exigindo dedicação em tempo integral.
Para abreviar a indefinição que tanto angustia, é preciso empregar cada minuto de forma producente, acelerando a transição. Não significa, em absoluto, que se deva agarrar a primeira opção que surgir pela frente, nem tampouco passar por cima do choque inicial. Respeitar o tempo de absorção do impacto e vivenciar a perda fazem parte do processo. O desperdício ocorre quando a permanência nesse estágio se prolonga além do necessário.
A etapa de busca de uma nova colocação pode ser particularmente salutar para dar impulso à trajetória profissional. Se bem utilizada, permite um salto qualitativo. O choque inicial foi absorvido? A hora, então, é de arregaçar as mangas, fazer um chech-up de vida e carreira, avaliar alternativas e partir para a estruturação de um novo projeto.
A transição de carreira tem se mostrado uma fase de grande aprendizado, especialmente para aqueles que vivenciaram uma época de maior estabilidade, na qual a permanência nas organizações costumava ser mais longa. A dinâmica hoje é outra, acompanhando a velocidade dos negócios. Com ciclos cada vez menores, os períodos de entressafra tendem a ser também mais frequentes.
Portanto, é sábio aproveitar o tempo não apenas se dedicando à procura do novo trabalho, mas também cuidando da atualização e do aperfeiçoamento profissional, requisitos imprescindíveis para preservar a competitividade e ampliar as oportunidades de continuar — e evoluir — na ocupação obtida.
Disponível ou não, todo profissional interessado em desenvolver a empregabilidade e se manter atrativo deve incorporar uma série de atitudes, investindo tempo e esforço em fazer um inventário de sua carreira e uma criteriosa auto-análise. Para quem busca reinserção no mercado, há outras medidas essenciais, tais como: inventariar o capital social, fixar o foco da procura, traçar o plano de exposição ao mercado e preparar-se para exercer o papel de candidato, além de eleger empresas e pessoas-alvo.
Ao agendar visitas e entrevistas com os elos do networking, deve-se atentar novamente à questão do tempo, sendo cioso com a disponibilidade alheia. Objetividade, pertinência e bom senso são regras de ouro, assim como o ato educado de agradecer e dar retorno a quem, de alguma forma, contribuiu para seu projeto de vida e carreira. Com as voltas que a vida dá, nunca se sabe o dia de amanhã… Carpe diem!
