Depois de observar alguns maus exemplos e do alto de meus 18 anos de Jornalismo, sendo 10 deles dedicados à área de Recursos Humanos e mais 10 anos de trabalho na área de Recrutamento e Seleção, me “dei o luxo” de escrever meu primeiro artigo aqui no Mais RH abordando uma ótima ferramenta para seleção, mas que continua sendo utilizada como laboratório por alguns profissionais.
Primeiramente, vou me valer da atividade de repórter para relatar dois casos. O mais famoso foi apresentado no programa Fantástico, da TV Globo, pelo palestrante Max Gehringer. Em um dos episódios, quatro jovens recém-formados são convidados a participar de uma dinâmica de grupo sem saber que o objetivo era observar a atitude dos personagens em um processo de seleção. O segredo foi garantir espontaneidade total e, por isso, as câmeras não ficaram visíveis. Para ver o quadro, acesse o endereço http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1655832-15607-423,00.html.
O outro caso é relativo ao processo seletivo de uma grande instituição de ensino particular de São Paulo para vagas destinadas a pessoas com deficiência. No dia da dinâmica de grupo, os profissionais com necessidades especiais foram surpreendidos com a presença de funcionários da mesma empresa, que não eram deficientes e concorrendo às mesmas vagas.
Em relação ao quadro do programa Global, a proposta foi quase um reality show, e com final feliz para todos, já que os quatro jovens conseguiram estágio de curta duração. A proposta da dinâmica de grupo “de mentirinha” foi levar aos telespectadores algumas dicas de como se comportar nesta etapa do processo seletivo e até mesmo dar um feedback aos participantes em relação aos seus comportamentos. Até aí chegou a ser até uma “prestação de serviço”, até para que os profissionais de seleção tomem alguns cuidados ao adotar esta ferramenta.
Em reportagem veiculada no site Empregos.com.br (http://carreiras.empregos.com.br/carreira/administracao/ge/dinamica/prepare_se/290903-etapas_dinamica.shtm), minha amiga e especialista em recrutamento e seleção, Tatiana Wernikoff, afirma que “a dinâmica não é uma técnica que permite conhecer profundamente a personalidade da pessoa. Para isso existem outras atividades, como avaliação psicológica e entrevistas em diferentes níveis de profundidade.”
Outra afirmação da consultora é contundente e bem relacionada ao segundo exemplo que relatei: “Os processos de dinâmica invasivos já caíram em desuso, pois hoje sabe-se que não é necessário submeter os profissionais a situações desagradáveis, humilhantes, para diagnosticar suas características. Um tipo bastante comum de dinâmica que constrange é aquela em que o condutor questiona e coloca em conflito as opiniões e os valores dos candidatos, até que eles percam a cabeça ou se sintam inseguros.”
Não cabe a este “escriba” questionar a lisura do processo seletivo da instituição de ensino, já que conheço apenas um lado da história. O que é absolutamente questionável neste caso é o uso da dinâmica de grupo colocando candidatos em situação de absoluta desigualdade (deficientes não funcionários x não deficientes funcionários).
É preciso que os profissionais que atuam em recrutamento e seleção ficarem atentos a certos equívocos em suas atividades diárias que podem arranhar seriamente a imagem de uma organização, principalmente em um momento em que se fala tanto em marca de empregador e melhores empresas para trabalhar.
Posso garantir que, certamente, a empresa em questão perderá talentos que não deverão atender a um novo chamado, temendo passar por um novo constrangimento devido a um processo mal conduzido. Se levarmos em consideração a pressão da lei de cotas para pessoas com deficiência e a dificuldade em se preencher as vagas em aberto, este foi um verdadeiro “tiro no pé.”
Dica:
Outro texto bem legal sobre dinâmica de grupo em seleção, publicado no site RH.com.br: http://www.rh.com.br/Portal/Recrutamento_Selecao/Artigo/4284/dinamica-de-grupo-e-saias-justas.html#

Apesar de ser “novinho” “apenas” 18 anos de profissional até que sabe fazer um artigo….risosss
Vanderlei parb´nes! Sintetizou o que sempre defendi….grande abraço, Lima
Legal Vanderlei!. Nesse tempo de experiência uma das coisas que me chama a atenção é a falta de preocupação que algumas empresas têm com a sua imagem durante os processos de seleção: candidatos que ficam horas esperando para serem atendidos ou que têm que voltar ” n” vezes, dinâmicas mal elaboradas, falta de informações sobre o cargo e até sobre empresa por parte de quem está conduzindo o processo e falta de retorno aos candidatos!. Parabéns pelo primeiro artigo – a área de R&S tem muito assunto a ser debatido!.
Oi Fran!
Muito obrigado pelo comentário nessa primeira incursão como articulista!
Estou em dívida contigo! Fiquei alguns dias sem atualizar o blog, mas recebi seu texto e devo publicá-lo nesta ou na próxima semana.
E obrigado por sua primeira (e espero que seja de muitas) visita ao Mais RH!