As empresas que sofrem com a queda nas vendas e com parte de sua força de trabalho parada enfrentam problemas na hora de adequar sua produção: ou demitem, ou implantam um Programa de Demissão Voluntária (PDV) ou tentam negociar com sindicatos redução de jornada e salário, saídas com grande desgaste para todos os envolvidos.
Uma fábrica de chapas e caixas de papelão ondulado, localizada em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo encontrou uma fórmula inteligente de contornar o problema: o rodízio de trabalhadores. Por se tratar de uma cooperativa autogestionária do setor de produção, em que todos os colaboradores são sócios do empreendimento, a Coopercaixa implantou um sistema no qual, com a redução da demanda, parte da força de trabalho fica na fábrica e parte aguarda em casa. Assim, os profissionais garantem seus postos de trabalho e parte de suas retiradas mensais. Durante o período ocioso ainda podem freqüentar cursos de capacitação profissional.
Um modelo diferenciado
A Coopercaixa é uma cooperativa de produção formada por ex-funcionários de uma empresa falida, que produz caixas e chapas de papelão ondulado pelo sistema “on demand”, ou seja, aceita pedidos sob encomenda das indústrias do setor, sem concorrer com elas. A empresa, que não atende o consumidor final, é pioneira no uso desse sistema no setor de papelão ondulado no Brasil, explica o engenheiro e diretor-executivo da Coopercaixa, Sérgio Luiz Madjarof. Funciona como uma plataforma de industrialização de chapas e caixas de papelão ondulado para servir o mercado.
Na Coopercaixa não existe a relação capital/trabalho, nem a relação patrão/empregado. “Sócios-cooperados e cooperativa, como empreendimento são uma coisa só. Trata-se de um empreendimento autogestionário. Todos são donos do negócio e como sócios-cooperados decidem, em assembléias, qual a melhor maneira de administrar os recursos coletivos”, destaca o engenheiro.
