Nos meandros do mundo corporativo existe um conjunto de competências que são necessárias para o sucesso da liderança e dos negócios. Uma das habilidades mais importantes é a capacidade de ouvir a opinião e os sinais emitidos pelos colaboradores. Mais vital ainda nesse processo é aprender a confiar no feedback do subordinado. Do outro lado da moeda, não é difícil encontrar funcionários com medo de colocar limites ou de terem a certeza de que o “chefe” não sabe ouvir ‘não’, o que torna inviável recusar ou negociar alguma solicitação.
De acordo com a coach executiva Jaqueline Weigel, diretora do Núcleo de Coaching da Integração Escola de Negócios, o contínuo crescimento econômico do país aumenta a cada dia a demanda de trabalho, aflorando ainda mais a ‘crise’ de tempo existente nos dias atuais. “A exigência dos chefes para que projetos e serviços sejam executados cada vez mais rapidamente trouxe à tona alguns mitos. Um exemplo trivial é que muitos colaboradores passaram a ter problemas de gestão do tempo pelo receio de dizer não e de colocar limites às solicitações desordenadas de superiores. Tudo isso por medo de serem prejudicados ou até perder o emprego”, afirma.
Na visão de Jaqueline, esse comportamento não gera evolução e melhor desempenho dos profissionais, muito menos crescimento sustentável dos negócios. “Algo crucial para os colaboradores é tornarem-se excelentes na arte de praticar a negativa, especialmente em momentos de pressão extrema. É fundamental abrir a negociação com os gestores sobre prazos, revisar limites e priorizar demandas. Isto é uma habilidade de comportamento notoriamente falha no cenário atual”, explica.
Ainda segundo a executiva, se o profissional usar argumentos sólidos e mostrar que a mudança de padrões caóticos pode impactar positivamente nos resultados e negócios da empresa, certamente ganhará confiança junto a seu líder. “Já se a iniciativa não for bem recebida, o colaborador deve respeitar a decisão, mas convidar seu líder a dividir a responsabilidade de impactos negativos na produção ou no resultado”, complementa.
Na outra ponta, Jaqueline afirma também que os gestores precisam aprender a lidar com contestações e argumentações dos subordinados contrárias à suas vontades. “Por estarem em posições estratégicas, os líderes sofrem pressão de todos os lados. Mesmo assim, precisam ter o entendimento de que para mobilizar pessoas a atingir um objetivo em comum é necessário compreender que cada pessoa possui suas necessidades, desejos e razões para se comportar de uma forma ou de outra. Acusar incompetência do funcionário na gestão do tempo é uma solução simples e ineficaz demais para gerar a mudança”, argumenta.
Jaqueline Weigel finaliza afirmando que a gestão míope com foco apenas nos resultados gera apenas pressão, ansiedade e medo. “Os líderes precisam aprender a influenciar pessoas e desenvolver habilidades comportamentais para gerir seus colaboradores”, finaliza.
liderança
Um dos mais graves problemas de gestão enfrentados pela maioria das empresas brasileiras é a tendência de todo gestor de pessoas tratar os empregados da mesma forma, diminuindo drasticamente o desempenho e engajamento da equipe, que terá como conseqüência resultados abaixo do esperado.
A constatação é de Eduardo Carmello, diretor da Entheusiasmos Consultoria, consultor organizacional e um dos mais renomados palestrantes na área de Liderança e gestão de pessoas do país. “Gestores estão jogando dama, em vez de jogar xadrez. Entramos na Gestão da Singularidade, em que há uma melhora consistente no desempenho da equipe quando o gestor compreende que há níveis diferentes de performance, engajamento e capacidade de aprendizagem dos elementos de sua equipe. Não se trata de conhecer características e personalidades e sim de oferecer estratégias diferenciadas para talentos em níveis diferenciados de performance e engajamento”.
Carmello afirma que em toda empresa há aqueles que têm desempenho abaixo da média, na média e acima da média. No entanto, quando os chefes querem chamar a atenção daqueles que têm desempenho fraco, eles reúnem todos os empregados em uma mesma sala e apontam os problemas de modo genérico. “Esse tipo de atitude paternalista é trágica para as empresas, pois seu único efeito é derrubar o bom desempenho e engajamento daqueles profissionais que se destacam, uma vez que eles são tratados da mesma forma que os outros”, alerta.
Segundo o consultor, outro fator que leva os gestores a tratarem todos da mesma forma é o fato de que as empresas desconhecem, de modo geral, as necessidades de cada profissional, bem como seus desempenhos. E por não terem esse tipo de informação individualizada, particularizada, os gestores cometem injustiças com aqueles empregados que têm melhor desempenho que os demais. “Quando o gestor protege a baixa performance de um pequeno grupo, desprotege todo o comprometimento e desempenho dos talentos que estão em alta Performance”, analisa o consultor.
Ele ainda complementa, afirmando que muitas empresas promovem treinamentos lineares, para todos os empregados de uma determinada área, mas o fato é que esse tipo de treinamento tem efeito desmotivador para aqueles empregados que já dominam o assunto. “Frequentemente, o talento de alta performance já conhece o que deve ser feito e se desmotiva num seminário de 8 horas. E o de baixa performance, volta do treinamento e continua tendo o mesmo nível de entrega, pois a causa do baixo desempenho não é falta de treinamento e sim a dificuldade do gestor em orientar e cobrar do talento de baixa performance a entrega prometida”, assinala Carmello.
Segundo o consultor, a Gestão da Singularidade é fundamental, pois profissionais engajados, motivados e preparados requerem menos esforço do gestor, uma vez que basta convencê-los da importância e do propósito do projeto para que eles saiam fazendo e sempre com alto grau de excelência. “Já os profissionais com baixo engajamento vão se motivar a fazer algo se eles perceberem que a equipe toda está atuando. Caso eles percebam que nem todos estão envolvidos, vão relutar em trabalhar. É necessário uma outra estratégia do gestor para engajar esse nível. Não dá para esperar desse nível a mesma disposição e entrega dos de alta oerformance. O mais grave é o profissional não engajado. Este profissional tem que ser cobrado constantemente. Dessa forma, o gestor de pessoas que atua com Singularidade, desenvolve três abordagens diferentes com sua equipe, uma para cada nível de entrega e engajamento de seus profissionais. Se o gestor tratar a todos da mesma forma, desconsiderando estes níveis, não vai conseguir o máximo desempenho da equipe”, orienta Carmello.
Dificuldades de gestão
Um dos problemas da gestão de pessoas no Brasil está no fato de que nossa cultura considera pessoas de baixa performance ou engajamento (que muitas vezes chamamos de “resistentes”) muito difíceis de serem gerenciadas. A maioria dos gestores acabam evitando lidar firmemente com esse tipo de profissional, deixando-os de lado ou mesmo ignorando sua performance. “O que poucas empresas percebem é que profissionais que entregam abaixo do esperado e não estão engajados, impactam de modo decisivo não só na fabricação de um produto, mas na prestação de um serviço ou o atendimento a um cliente”, constata Carmello.
A gestão massificada não consegue contemplar essas diferenças, impedindo a criação de alto nível de engajamento, aprendizado e entrega, profundamente necessário para empresas que estão buscando competitividade. “A gestão da equipe de forma singular produz, além de resultados econômicos, um sentido de justiça, meritocracia e total comprometimento, abordagem fundamental para a retenção e aproveitamento da inteligência dos profissionais de alta performance”, alerta Carmello.
A ABRH-PR realiza, por meio do Programa Desenvolve RH, no dia 16/05 (quarta-feira), das 19h às 21h30, o Fórum de Liderança com o tema “A arte de lidar com o conflito”. Destinado aos gestores de todos os níveis hierárquicos que possuam acima de três subordinados, o encontro vai abordar diferentes questões empresariais sobre como gerenciar os problemas, dentre elas como identificar quando há um conflito, as formas dele ser evitado ou negociado e os passos necessários para obter um bom resultado nestas situações.
Com uma metodologia participativa, o fórum será conduzido através de vivências e construções do conhecimento em grupo pelas facilitadoras Rachel Cherubini T. Caldeira, que atua há mais de 20 anos com o universo das pessoas e é diretora da Interself Desenvolvimento Humano, e Heloisa Gappmayerr Biscaia, consultora especialista em Investigação Apreciativa, membro da comunidade internacional Art of Hosting (arte de anfitriar conversas significativas) e diretora da Coíris.
O Fórum de Liderança acontece no auditório 01 da Unindus (Universidade da Indústria), localizada no Cietep, na Av. Comendador Franco, 1341, Jardim Botânico. Aos associados da ABRH-PR o custo da participação é de R$ 50 e, para os não sócios, R$ 100. Inscrições e informações pelo telefone (41) 3262-4317 ou pelo email abrh-pr@abrh-pr.org.br.
Serviço – Fórum de Liderança: A arte de lidar com o conflito
Data: 16/05
Horário: das 19h00 às 21h30
Local: auditório 01 da UNINDUS (Av. Comendador Franco, 1341)
Informações e inscrições: (41) 3262-4317 ou abrh-pr@abrh-pr.org.br
A nova geração de estagiários e trainees estão conquistando seu espaço no ambiente corporativo. É o que mostra recente levantamento da Page Talent, unidade de negócios da Page Personnel dedicada ao recrutamento de estagiários e trainees. 55% dos estagiários e trainees pesquisados afirmam ter liberdade com seus gestores para expor novas ideias.
O levantamento foi realizado em janeiro e fevereiro deste ano com cerca de 1200 jovens profissionais de 20 a 27 anos.
“Muitas vezes ficamos presos ao tradicional e não percebemos que a resposta para uma dúvida simples pode estar sentada na mesa ao lado. Os jovens que estão entrando no mercado transbordam novas ideias e, na maior parte das vezes, falta apenas uma política de comunicação mais eficiente ou simplesmente uma abertura do seu gestor para que possam mostrar que são muito mais do que um simples perfil operacional”, afirma Manoela Costa, gerente da Page Talent. “Estagiários e trainees são profissionais que costumam aplicar os conceitos da faculdade. Eles, naturalmente, enxergam seu gestor como aquela pessoa ocupada e sem tempo para tratar de assuntos irrelevantes ao negócio. Quando percebe que conquistou espaço para dar sugestões, sente-se motivado e com energia renovada para o dia-a-dia corporativo”, diz. “É muito importante que o jovem profissional e gestor tenham alinhado desde o início que o reconhecimento do trabalho será recompensado com uma participação cada vez mais ativa no negócio. Essa é uma geração movida por estímulos e o mercado está se adaptando a esse novo perfil”, conclui.
O estresse está presente em todas as áreas da vida e interfere com nosso equilíbrio emocional, desafiando os profissionais que enfrentam um dos maiores entraves nas carreiras: gerenciar pessoas. O lado emocional dos times e das equipes de trabalho, quando mal administrado, pode afetar os resultados.
Para preparar esses líderes no desenvolvimento da inteligência emocional, competência hoje requisitada no mundo das organizações, a Fundação Vanzolini promove o Workshop Gestão Emocional do Time, nos dias 14 e 15 de maio, na unidade Paulista da instituição, com inscrições abertas até 10 de maio, no site.
De acordo com a professora Vera Martins, especialista em Medicina Comportamental, esse seminário ajuda os profissionais a adquirirem “conhecimentos sobre o funcionamento do ser humano nas áreas emocional, mental e comportamental, além de treinarem técnicas cognitivas para gerenciar pensamentos, que são os responsáveis pelos sentimentos e ações do time de trabalho, de forma a transformar esses pensamentos em resultados efetivos”.
Ainda segundo Vera, se o líder não souber trabalhar com os anseios do time ou com os comportamentos destrutivos, como agressividade, passividade, manipulação e retaliação, isso pode contaminar as relações entre as pessoas, tornando-as mal resolvidas, desmotivadas e com baixo rendimento.
Alguns sinais definem um líder bem sucedido na gestão emocional: as pessoas se sentem importantes, competentes e queridas no trabalho; expressam os sentimentos com facilidade, mesmo negativos, sem agredir os outros; não existem fofocas nem conflitos mal resolvidos; a comunicação é transparente; as pessoas são maduras e assumem responsabilidade; existe um clima saudável; todos sentem prazer no trabalho; as pessoas recebem e dão feedback.
Workshop Gestão Emocional do Time
Inscrições: até 10 de maio (domingo)
Datas: 14 e 15 de maio (quinta e sexta-feira)
Horário: das 8h30 às 17h30
Local: unidade Paulista da Fundação Vanzolini – Avenida Paulista, 967 – São Paulo
Telefones: 0800 770 06 08 (Estado de São Paulo) e (11) 3145-3717 (outras localidades)
Site: www.vanzolini.org.br
