
O Brasil é sede de um dos principais eventos esportivos do mundo: a Copa do Mundo de 2014. Dentre todos os desafios que o País vai enfrentar, a preocupação agora é com a capacitação de profissionais e o legado que o evento deve deixar ao Brasil. Devido à importância do tema, a Ejesa, por meio dos seus jornais Brasil Econômico, Marca Brasil e O DIA, realizou no dia 16 de abril o seminário Brasil Rumo à Copa.So
António Laranjo, Alto Representante da Associação das Ligas Europeias (EPFL) aproveitou a oportunidade para traçar um paralelo entre a Copa do Mundo de 2014 e a Eurocopa 2004 realizada em Portugal, em que foi diretor-geral. O executivo falou sobre os desafios e dificuldades para realização de um evento desse nível.
Diante das especulações em relação à construção dos estádios no Brasil, Laranjo lembrou que em maio de 2002 — dois anos antes da Eurocopa —, a taxa de área construída das arenas portuguesas estava abaixo de 20%. “Quinze meses depois, já estávamos com 80% – 90% desses mesmos estádios construídos. Claro que tivemos muita pressão da UEFA e quase perdemos dois de nossos principais campos. O mais importante é que soubemos responder às cobranças e realizar um evento inesquecível com todos os 10 estádios previstos”, diz.
Laranjo ainda destacou a importância do País ter voluntários para o atendimento ao turista. “A primeira pessoa que o turista vê ao chegar é o voluntário, daí a importância de se ter um bom treinamento para que a recepção cause uma boa impressão, seja um jovem ou um senhor de 70 anos”, ressaltou.
Já o ministro do Esporte Aldo Rebelo reforçou que a realização da Copa do Mundo no Brasil será uma grande oportunidade para o País, não apenas futebolisticamente, mas como um acontecimento cultural e de desenvolvimento civilizatório. “A Copa oferece a oportunidade de ampliarmos nossa capacidade e superarmos nossas dificuldades e os entraves que assuntos dessa natureza exigem. Somente desafios como esse convocam a todos a colocarem a prova suas habilidades e competências”, reflete.
Rebelo comentou como os estádios devem beneficiar as cidades-sede e reforçou que a Copa do Mundo não vai exigir investimento público que não traga retorno ao País. “O Brasil está investindo em obras públicas naquilo em que já investiria independentemente da realização da Copa 2014. São investimentos que já estavam previstos para mobilidade urbana, acessibilidade, telecomunicação e tecnologia. Tudo isso ficará para o Brasil. Assim como investimento em segurança pública”, afirmou.
O ministro do Esporte ainda ressaltou que a Copa do Mundo tem despertado o interesse de vários setores do conhecimento brasileiro, citando o exemplo do cientista Miguel Nicolellis, que está desenvolvendo uma pesquisa para ajudar uma criança portadora de deficiência a caminhar na cerimônia de abertura. Ainda na área da saúde, Rebelo citou o desejo da Sociedade Brasileira de Cardiologia em firmar um convênio com o Ministério do Esporte para ampliar a difusão da prática esportiva como atividade saudável, bem como a qualificação de médicos para orientação correta a quem deseja praticar esportes.
Rebelo também destacou que o próprio Governo está fazendo sua parte ao estabelecer um amplo programa de qualificação que envolve os ministérios do Trabalho e do Turismo e prevê o treinamento de aproximadamente 270 mil pessoas nas áreas de apoio para a realização da Copa do Mundo.
Qualificação profissional
Durante o seminário, os convidados também abordaram a necessidade de capacitação profissional, principalmente em serviços turísticos como hotelaria e gastronomia. Marcelo Dias Calado, coordenador Educacional das áreas de Turismo, Lazer e Eventos do Senac São Paulo, aponta que o gargalo de profissionais qualificados está em todos os níveis, desde a base até a formação superior de gestores.
Segundo Calado, o turismo tem um impacto de 56% na cadeia produtiva de serviços e produtos e, durante a Copa, a expectativa é de o Brasil receber mais de 600 mil turistas estrangeiros e 3 milhões de brasileiros se deslocando dentro do País e demandando atendimento qualificado. “Dos estrangeiros, a expectativa é que 37% venham da América Latina, sendo que a maioria deve vir do México e Argentina, seguidos da Europa, Ásia, Oceania e por último África. Profissionais para atender a demanda tem, o que falta é qualificação principalmente na questão do idioma”, completa o coordenador do Senac.
Suzana Dieckmann, coordenadora do Ministério do Turismo na Preparação para a Copa das Confederações Fifa 2013 e Copa do Mundo Fifa 2014, lembrou que o Governo Federal tem investido na formação de profissionais por meio do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego criado em 2011. Os Pronatec Copa e Idiomas — parceria entre os Ministérios do Turismo e da Educação — irão oferecer respectivamente 240 mil vagas em cursos profissionalizantes em mais de 30 atividades ligadas ao setor e cerca de 50 mil para cursos de inglês, espanhol e libras.

